Estes primeiros posts precisam ser mais extensos e precisam falar do que passou... Na verdade, este blog já deveria ter sido concebido a mais tempo, ao mesmo tempo que o Júlio crescia na minha barriga e minha vida dava uma reviravolta.
Naquele ano de 2007 vivi um dilema que ecoa consequências até hoje. A primeira maternidade coincidiu com novo emprego, nova casa, nova rotina a ser organizada. As idas e vindas entre São Paulo e São José dos Campos eram um sofrimento diário.
Desistir da vaga no IBt não foi uma decisão fácil. Mas foi uma decisão influenciada por muitos fatores importantes na minha vida naquele momento.
Aqueles meses foram muito difíceis e sofridos. Andava perdendo noite por conta de toda a situação. Pensando em como conciliar tudo.
Abrir mão de um "sonho de vida", de algo "desejado" e "óbvio" pode fazer nossa decisão parecer incoerente. Muitos podem perguntar "Mas como? Vc vai desperdiçar esta chance?" Desapego, autoconhecimento, confiança e coragem. Quando o momento determina, não tem jeito, temos que dizer não. Tomar decisões e bancar renúncias.
E a escolha é uma experiência, digamos... curiosa...
Ela é ao mesmo tempo a concretização da experiência da liberdade, pois ser livre é poder escolher, mas ela é contraditória por causa da obrigação de fazer a escolha. Quando ela aparece ela se impõe e se torna absolutamente necessária e obrigatória.
Até escolher não escolher já é uma escolha! Portanto, dada a escolha, não há como sair dela!
E não há como não pensar no desejo enorme de perfeição. O que torna difícil a escolha e faz com que a gente se sinta angustiado, ansioso, indeciso e, claro, frustrado, é que a gente busca que cada situação, qualquer que seja, realize nosso sonho de totalidade. Nosso sonho absoluto, onde não existam falhas. Que nada sobre. Que não reste nada satisfeito. Que nossos desejos sejam totais. Este desejo de totalização, de perfeição, que tem a ver com idealizar o mundo, que as coisas vão dar conta e a gente vai dar conta delas! (e elas nunca dão! Nem a gente!)
Estas questões é que fazem com que a gente fique insatisfeito, frustrado, angustiado...
É a pesada vivência da renúncia, de ter que abdicar, poder aprender humildemente que as coisas do mundo só vão realizar a gente parcialmente...
Foi o início de uma nova etapa, sem dúvida... De braços abertos, recebi este novo ciclo. E novas etapas, claro, sempre provocam angustia, medo, alegrias, conquistas...
No fundo, vale a pena.
Este espaço é para falar sobre tudo isto e, por que não, muito mais!
Sejamos bem-vindos!!!
27 novembro 2009
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