Como estou em dívida (comigo mesma, claro!), serão "dois em um"...
O espírito do Natal
O Júlio está encantado com o início das festividades do Natal. As luzes, as árvores, o Papai Noel, os presentes... Inicialmente estava fazendo certa confusão entre "os papais", Papai Noel, Papai Gastão, Papai do Céu. Depois de um dvd sobre o tema, a ida a missa num domingo e algumas explicações, tudo ficou mais claro. Porém, todos "os papais" comemoram e fazem parte do Natal! Pelo jeito, o garoto entendeu bem "o espírito da coisa"... Ele só continua com uma idéia "invertida", mas bem simpática: somos nós que damos presentes ao Papai Noel e a nossa árvore está repleta de caixas vazias, cuidadosamente embrulhadas com lindos papéis e fitas. Todas para o Papai Noel!
Antes de conseguir fazê-lo dormir, precisamos verificar se todos os vizinhos, casas, apartamentos, prédios dos arredores lembraram de acender suas árvores, enfeites, etc. Quem não acendeu, "está dormindo e precisa ser acordado", para lembrar que é Natal e que as luzes têm que estar acesas nas noites de dezembro para que o meu pequeno anjo de cabelos dourados durma em paz...
O mico do Natal
Festinha de final de ano na escolinha do Júlio. Com direito a apresentação e tudo. Nosso pequeno “cantor de chuveiro” vai se apresentar num palco. Um verdadeiro artista.
Chegamos no local e a atmosfera era um tanto confusa e diria até desorganizada. Uma das professoras tomou o Júlio de nós dizendo que ele precisava se preparar para a apresentação. Seria a próxima. As crianças menores que o Júlio cantavam com os professores e pais num circulo feito no chão em meio a uma incrível balburdia, pessoas e crianças totalmente desinteressadas, barulho, desrespeito aos pequeninos que se esforçavam nos seus movimentos aleatórios e pelo simples prazer de usar braços e mãos. Ah! E vozes, afinal, estavam cantando! Apesar de ser simplesmente impossível ouvi-los. Ao fim da apresentação dos “alunos do berçário”, a diretora da escola tenta através do microfone avisar sobre o funcionamento das próximas apresentações.
A cortina se abre e lá estão eles, fantasiados de abelhinhas, tão pequeninos quanto os primeiros, com seus movimentos particulares, seus olhares assustados, alguns certos do poder de suas ações. O meu pequeno e assustado “zangão” está bem ao centro, mantém as mãos entrelaçadas, como costuma fazer em situações que exigem paciência e reflexão (aguardar o prato de comida é uma delas!). Não esboça qualquer intenção de dançar ou cantar. Com o dedo indicador aponta e diz “papai”. Após alguns estímulos das professoras, poucos se põem a cantar e dançar. Tudo dura cerca de dois minutos e a cortina se fecha sob o aplauso dos pais. O barulho e a movimentação continuam. E é assim que “the show must go on...” em meio a máquinas e filmadoras.
Saímos de lá um tanto atordoados e nos perguntando, “Será que precisa disso?” “Por que estamos tão decepcionados?” “Será porque nosso pequeno cantor não se revelou o grande artista e cantor que acreditamos que ele seja (e será!)?
Estamos mesmo indo longe demais. Sempre na expectativa que nossos filhos sejam verdadeiros prodígios, transformando as brincadeiras e divertimentos da infância em verdadeiras realizações (pessoais!?). Meu filho adora dançar e cantar, ouvir seus CDs e “tocar” seus instrumentos de plástico e isopor. E isto nada tem a ver com o fato de que será ou não um músico talentoso. Ele está apenas brincando. Mas já pensamos em domar essa felicidade, afiar seu talento para torná-lo arte. Não sou a primeira nem a última mãe ansiosa em guiar o filho até o topo. Mas vamos com calma...
O que esperar então de uma apresentação de final de ano da escola?
Conhecer os professores e funcionários que não conhecemos, os coleguinhas, os pais deles, as músicas que eles cantam na escola, ok, por que não? Confraternização, entrosamento. Olhar um pouco o outro. E não filmar e fotografar o tempo todo o próprio filho. Uma verdadeira obsessão com nossas próprias crias. Sem dar a mínima para as outras crianças. Chegamos a conclusão que esse “eu-primeiro”, refletido no comportamento dos pais na festa, no estacionamento é que nos incomodou.
Será que é assim que criaremos nossas crianças? Apenas para nos agradar, nos fazer alegres, orgulhosos? Eu queria muito não ser assim. Quero que meus filhos se desenvolvam no tempo e espaço delas, com calma, respirando, ficando à toa. Livres, felizes, relaxados, aborrecidos algumas vezes. Que tenham coragem de assumir riscos, cometer erros, sonhar, ter prazer, se decepcionar e fracassar. Não é fácil, claro, vencer o medo e achar o equilíbrio para se retirar na hora certa.
Bom, pelo menos da festa, a gente escapou na hora!
Gostaria de postar o vídeo com nossa tímida abelhinha, mas ainda não sei fazer isto. Sem traumas, eu chego lá!
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Eu tenho certeza que o Julio tem um caminho incrível pela frente. De fantasia e realidade, sem sequer perder a noção de nenhum deles. Mas, vivendo e aprendendo e vivendo...do jeitinho tímido e comedido dele!
ResponderExcluirMas, que de abelhinha deve ter ficado um troço, isso deve!rs
(ah!é fácil postar vídeo)